Como vimos na atividade anterior, o texto dissertativo pode ser construído com base no que se convencionou chamar de estrutura ortodoxa, organizando-se em três grandes núcleos: a introdução, o desenvolvimento e a conclusão. Nesta atividade, nossa atenção estará voltada para a introdução.
Diante da reconhecida dificuldade para dar início ao texto, são frequentes duas atitudes: a primeira consiste em recorrer a um estoque de clichés, de fórmulas prontas, de "receitas de bolo", para começar a dissertação. Ora, soluções despersonalizadas e genéricas são incompatíveis com um tipo de trabalho que requer justamente o contrário. Há alunos que aprenderam a "aplicar" um início de texto tão vago, que parece servir para qualquer tema. Com isso, ao invés de orientar o leitor, colocando-o por dentro do assunto, a introdução o desorienta, dispersando sua atenção - o que, sem dúvida, é contraproducente.
A segunda atitude consiste em acreditar que o início do texto deve ser genial, impactante, como, por exemplo, a abertura das Memórias póstumas de Brás Cubas. Os alunos que crêem nisso ficam escravos da originalidade. É inegável que uma grande ideia inicial produz efeito positivo no leitor, mas é igualmente inegável que depender de uma "iluminação" incontrolável pode ser um perigo, sobretudo quando se tem prazo marcado para desenvolver um tema sob encomenda.
Nenhuma dessas duas atitudes soluciona, portanto, o problema da introdução.
Nenhuma dessas duas atitudes soluciona, portanto, o problema da introdução.
Boa introdução é aquela que faz uma ponte entre a questão proposta para debate e a visão de mundo do debatedor, tornando o tema e as posições defendidas pelo enunciador claros e acessíveis ao leitor. Assim, o leitor percebe a relação do texto com a proposta e é estimulado a prosseguir a leitura do texto.
