Uma boa dissertação não começa com a introdução: começa antes, com a leitura atenta da proposta e o planejamento do texto. E preciso, inicialmente, decidir aonde se quer chegar e quais são os passos para atingir esse objetivo.
O primeiro passo é apreender com clareza a questão polémica a respeito da qual se deve refletir. Feito isso, é necessário assumir uma posição, formular uma tese defensável, considerando o repertório cultural e os valores éticos coletivos. Em outras palavras, é necessário fazer um inventário das informações sobre a questão posta em debate e, de acordo com a visão de mundo que se pretende defender, imaginar uma progressão para o texto. Só depois de fazer isso é que se deve pensar em iniciar, de fato, a dissertação. E o momento de elaborar a introdução.
Quais são os objetivos de uma introdução?
Um exame mais cuidadoso da própria palavra pode colaborar para a compreensão do que se pretende com uma introdução. Eis o que traz o Dicionário Eletrônico Houaiss sobre esse termo:
Introdução: palavra formada a partir do verbo latino d licito "levar, transportar, puxar sem descontinuidade: conduzir", e do prefixo intro-, derivado do advérbio latino intro "dentro {especialmente de casa)", (com verbos que denotam movimento, como é o caso de conduzir), levar "para dentro, para o interior' [...].
Entende-se que introduzir, na origem, era "levar para dentro de casa", apresentar, "mostrar os cómodos do edifício". No nosso caso, é conduzir para o interior do texto, dando pistas sobre sua organização, sua orientação geral.
O objetivo pretendido é que o leitor "sinta-se em casa", de forma que ele consiga identificar o tema em discussão e obter uma pista para prever a tese adotada pelo enunciador.
Além disso, convém que a introdução seja capaz de atiçar a curiosidade, de atrair o leitor, fazê-lo imaginar, de antemão, os possíveis "caminhos" da argumentação, antevendo a "linha" a que o enunciador irá se filiar, o percurso argumentativo do texto.
