Quando deixa de usar apenas a energia humana, a técnica passa ao estádio das máquinas pela utilização da energia mecânica, hidráulica, elétrica ou atómica. Por exemplo, o carvão queimando faz mover o tear, o vapor de água faz funcionar a locomotiva, a explosão da gasolina viabiliza o automóvel e a eletricidade põe em movimento a batedeira de bolo.
A máquina é o instrumento que atua por si mesmo e por si mesmo produz o objeto. (...) No artesanato o utensílio ou ferramenta é somente suplemento do homem. Neste, portanto, o homem com seus atos '"naturais" continua sendo o ator principal. Na máquina, ao contrário, passa o instrumento para o primeiro plano e não é ele quem ajuda ao homem, mas o contrário: o homem é quem simplesmente ajuda e suplementa a máquina. (...) O que um homem com suas atividades fixas de animal pode fazer, sabemo-lo de antemão: seu horizonte é limitado. Mas o que podem fazer as máquinas que o homem é capaz de inventar é, em princípio, ilimitado. (Ortega y Gasset.)
Em estádio mais avançado, o autómato imita a iniciativa humana, porque não repete "mecanicamente" as funções preestabelecidas, uma vez que é capaz de auto-regulação. A partir de certos programas, é possível grande flexibilidade nas "tomadas de decisões", o que aproxima as "máquinas pensantes" do trabalho intelectual humano, já que são capazes de provocar, regular e controlar os próprios movimentos. O radar corrige a rota do avião de acordo com as alterações do percurso, a célula fotoelétrica instalada na porta do elevador impede que ela se feche sobre o usuário: em ambos os casos os comandos são alterados automaticamente conforme "informações" externas.
Cibernética (do grego kybernetiké, isto é, téchne kybernetiké, "a arte do piloto"): ciência que estuda as comunicações e o sistema de controle não só nos organismos vivos, mas também nas máquinas. (Novo dicionário da língua portuguesa, Aurélio Buarque de Holanda Pereira.)
Técnica e ciência
Um esforço imenso é despendido pelo homem no domínio da natureza. Na medida do possível, alguns reservam para si as funções leves e encarregam outros do trabalho mais penoso. A predominância de escravos e servos no exercício das atividades manuais sempre levou à desvalorização desse tipo de trabalho, enquanto apenas as atividades intelectuais eram consideradas verdadeiramente dignas do homem.
Os romanos, retomando a tradição da Grécia, chamavam de ócio (otium) não propriamente a ausência de ação, mas o ocupar-se com as ciências, as artes, o trato social, o governo, o lazer produtivo. Ao ócio opunham o negócio (o nec-otium, ou seja, a negação do otium), enquanto atividade que tem por função satisfazer as necessidades elementares. Evidentemente é o ócio que constitui para eles o ser próprio do homem, e alcançá-lo era privilégio reservado a poucos.
Tal maneira de pensar supõe a existência da divisão social com a manutenção do sistema escravista ou da servidão. Mesmo Aristóteles sabia disso, e diz, em sua Política, que haveria escravidão enquanto as lançadeiras não trabalhassem sozinhas.
A partir do final da Idade Média surge uma nova concepção a respeito da importância da técnica. Antes desvalorizada, ela torna-se o instrumento adequado para transformar o homem em "mestre e senhor da natureza".
